Sindilegis debate desafios do cenário socioeconômico e traça objetivos da gestão

Debater os principais desafios sindicais para os próximos anos e planejar nossas ações. Esses foram os do planejamento estratégico da Gestão Todxs na Luta, realizado nesta quinta (8) e sexta (9), no Hotel 7 Colinas, em Olinda, por diretores e representantes sindicais de base do Sindilegis Pernambuco.

No primeiro dia, a formação sindical e a análise de conjuntura econômica e política do Brasil foram os principais assuntos debatidos. Na abertura dos trabalhos, o dirigente sindical Jairo Cabral (ex-presidente da CUT e diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Informática, Processamento de Dados e Tecnologia da Informação de Pernambuco – SINDPD-PE) aprofundou questões geopolíticas e traçou os desafios para os sindicato nos próximos anos.

Na análise de conjuntura econômica e política, Jairo projetou como principal desafio do movimento sindical o de resistir e enfrentar os retrocessos previstos no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro. “Temos que ter muito equilíbrio e paciência, mas não perder a capacidade de nos indignar”, aconselhou Cabral. O ex-presidente da CUT também sinalizou para o indicativo de perseguição aos movimentos sociais, incluindo os sindicatos. “A retomada do discurso do anticomunismo visa desestabilizar a sociedade brasileira. Ele reabilita a cultura de rejeição”, comentou.

Pela tarde, os trabalhos foram retomados com a explanação do tesoureiro do Sindilegis Pernambuco, Josias Ramos, indicando a perspectiva financeira do sindicato. Ele apresentou o demonstrativo de receitas e despesas do ano de 2018.

Em seguida, foi a vez da coordenadora do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) traçar um panorama da conjuntura econômica do País e do Estado. A especialista revelou tendência de desmonte dos direitos trabalhistas no governo Bolsonaro, apontando, como exemplo, a extinção do Ministério do Trabalho. “No governo do PT, houve diversificação dos parceiros comerciais no exterior, por exemplo. Agora vemos um movimento de retorno à lógica anterior, que predominou nos governos FHC e Collor, com o Brasil como fornecedor de matérias primas”, alertou.

Fazendo uma retrospectiva recente, Jackeline afirmou que 2015 e 2016 foram os piores anos da nossa história, com queda de 3,5% no Produto Interno Bruto (PIB) e desaceleração econômica, o que agravou ainda mais a crise no País. “A economia mundial não se recuperou de forma significativa no pós-crise. Houve o desaquecimento da economia. A China é um exemplo”, avaliou.
Analisando o saldo organizativo, o presidente do Sindilegis Pernambuco, Marconi Glauco, considerou que a atividade foi de fundamental para a formação política da direção e o planejamento dos próximos anos. “Tivemos um panorama político e econômico do Brasil. Essa análise deu um quadro no sentido de abrir a mente para o que nos cerca daqui pra frente”, disse.

“A perspectiva é de muita luta, e nós temos que estar preparados e fortalecidos para ter os mecanismos e tentar a resistir a tudo isso que foi colocado”, complementou o presidente. Ele ressaltou que contribuição participativa dos novos dirigentes no planejamento estratégico foi importante para entrosar o novo grupo com o funcionamento do Sindilegis-PE.

Cenário político na Alepe

O secretário de Formação Sindical, Fabrício Martins, traçou um panorama eleitoral dos parlamentares eleitos em 2018. Segundo ele, o aumento de pessoas eleitas sem tradição alguma na política e o desaparecimento dos líderes partidários que usam argumentos de barganha com o chefe do Executivo, indica um rumo diferente na condução política. “Esse ambiente de pulverização partidária aumenta o poder do ‘baixo clero’ e aponta para o fim das grandes lideranças. É similar ao momento do desabrochar de Eduardo Cunha, de 2014 a 2016”, garante.

A nova composição da próxima legislatura da Assembleia Legislativa de Pernambuco também foi traçada na explanação do Secretário de Formação Política.  O levantamento apontou que a Casa Joaquim Nabuco recebe no próximo ano 24 novos deputados. Das 49 cadeiras ocupadas na Alepe, 18 obtiveram uma votação inferior da eleição de 2014. Outro dado é de que três suplentes conseguiram se eleger em 2018 e 23 deputados eleitos são de famílias tradicionais na política.

Na sexta (9), durante todo o dia, foi realizada a segunda etapa do planejamento estratégico, com a reformulação da missão, da visão e dos valores do sindicato, além dos objetivos estratégicos e das ações para os próximos três anos.

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